terça-feira, 3 de maio de 2011

Comunicação e Cultura: o processo de recepção




Resenha: Comunicação e Cultura: o processo de recepção.



Valério Cruz Brittos (UNISINOS)


• Estudos em desenvolvimento na América Latina sobre as mediações no processo de recepção e as relações entre comunicação e cultura.


• Principais idéias em desenvolvimento na pesquisa:


• Foco no processo de mediação e no ser humano como consumidor, não nos meios de comunicação.


• O consumidor parece distinto do que já se pensou, como ser passivo, apático e indefeso diante da mídia, que simplesmente assimila a informação e aceita a idéia. Com o acesso a informação de maneira expressiva, a pessoas mais bem informadas sabe das suas próprias exigências e necessidades ao consumir algum produto ou serviço.


• A mensagem não tem o mesmo efeito em todos os públicos.


“A recepção não é um estado consensual” – é uma zona de conflitos entre “o hegemônico e o subalterno, as modernidades e as tradições, entre as imposi;coes e apropriações.


• Comparação e tentativa de “igualar” cultura e comunicação.


“O que é transmitido pelos meios de comunicação é cultura”


• A cultura está na mídia porque está também e principalmente fora dela.


Não há linearidade no processo de recepção


“O processo de mediação estrutura a percepção de toda realidade social.”


• O conceito de hegemonia de Gramsci: “O sentido não é imposto, mas negociado”


• A produção cultural dos meios ataca o que é de mais puro e também incorpora valores culturais populares.


“No jogo das mediações cria-se e recria-se a hegemonia cultural”


Concepções de hegemonia:


- Relações de poder


- Classe hegemônica dirige a sociedade.


Hegemonia proposta: não confere poderes exclusivos à classe dominante.


Assimilação, sobreposição de poderes, consenso.


“Quem quer que controle a mídia, controla também a cultura” (Ginsberg)


A televisão é um meio de manifestações culturais de todos os tipos, o que favorece e colabora com algumas classes hegemônicas, que estão em destaque na mídia. Da mesma forma, pode favorecer classes não hegemônicas através de campanhas ou mesmo novelas, tornando essas culturas mais acessíveis e melhor compreendidas pelas massas.


O poder não pode ser visto como um sistema monolítico, onde apenas uma classe dominante comanda todas as outras classes. O sistema dominante não pode impor tudo aos dominados, pois os dominados possuem o poder da reação, ainda que tenha força inferior.


Quando instituições sociais trabalham juntas podem reforçar poder atuando em conjunto.


A cultura popular não é pura, pois é massificada pelo trilhar histórico da própria cultura.


A mídia é uma das peças do processo de massificação. É conseqüência da massificação e não a causa. O público massificado veio antes.


O preconceito à massificação deve-se a uma intolerância à própria cultura popular. Há rejeição pelo fato de classes em desvantagem social terem acesso aos mesmos bens e serviços que a classe “intelectual” tem.


Os estudos tem como principais tópicos a ressaltar “quais mediações são preponderantes na definição do comportamento dos vários grupos de consumidores, o que é feito com as mensagens da mídia e qual é a participação dela na composição dos hábitos e atitudes dos cidadãos.”


Questões levantadas:


1 – O conceito de que o indivíduo aceita receber a mensagem transmitida pela televisão da maneira como ela realmente é muda com a evolução tecnológica e acesso à informação?


2- Os meios de comunicação criam novas culturas?

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