Resenha
Prefácio: Karma-Gnôsis
No prefácio do livro “La experiência filosófica de La índia” o autor descreve resumidamente o conteúdo do livro, abordando aspectos relevantes e diferenças entre a cultura oriental e ocidental.
A interculturalidade (encontro de culturas), presenciada desde os tempos antigos, se torna cada vez mais freqüente no mundo globalizado. O encontro entre diferentes culturas pode ter um resultado positivo ou negativo, dependendo da finalidade e do respeito de uma cultura em relação à outra. Após a Segunda Guerra, os ocidentais começaram a se desapegar um pouco dos seus mitos, dando abertura para novas filosofias, entre elas a oriental. Para o autor, “cada cultura es una galaxia con vida propia”, desacreditando que a transculturalidade possa existir, visto que cada cultura tem características próprias que não podemos encontrar em outras. A interculturalidade é vista como algo positivo quando reconhece as diferenças, harmonizando para que haja um crescimento e entendimento entre as culturas.
A cultura ocidental é representada pela gnôsis (teoria) e a oriental pela karma (práxis). Quando o autor utiliza o neologismo karma-gnôsis, o faz para representar a junção entre as duas características, equilibrando as relações. Numa relação não dualista, uma não pode existir sem a outra, assim como o oriente (luz matutina) não pode existir se não há um ocidente (luz vespertina) e vice-versa. É como um barco sobre as ondas do mar, mas quem está no comando da direção, somos nós.
Filosofia e sabedoria também caminham juntas, tal como karma-gnôsis. O filósofo ama a sabedoria e faz dela sua fonte de conhecimento. Tendo conhecimento da verdade sobre algo, não cessa seu interesse, querendo sempre novas verdades e essas verdades perduram por séculos. “No se puede conocer sin amar, ni amar sin conocer”.
Pela experiência advaita (trindade), o dualismo entre a teoria e práxis não incluía o amor, que faz parte da filosofia oriental.
Por daimôn, uma das palavras que o autor cogitou utilizar no título do livro, entende-se divindade, espírito, vida, entre outras definições. Conforme as circunstâncias pode ser interpretada como “bem”ou “mal”. A mesma palavra já foi usada de forma negativa na antiguidade, porém está mais próximo de espírito, inspiração. Experiência foi a palavra escolhida no título, pois define mais precisamente o contato imediato com a realidade através dos sentidos. Segundo a filosofia indiana, “toda filosofia se basea en la experiencia”. Além disso, a experiência é pessoal, diferenciando de pessoa para pessoa, de cultura para cultura.
“Todo el mondo sabe que arroz no significa lo mismo para un estómago hambriento que para uno satisfecho”
“Justicia no tiene el mismo sentido para un prisionero que para um ciudadano sin conflictos com la sociedad”.
A ciência que é fortemente defendia no ocidente, muitas vezes classifica a verdade com conceitos reduzidos e “imutáveis”, como 2 + 3 são 5 e nada além disso. Os conceitos são úteis nas classificações, que são objetivas. Essa é a ciência moderna.
Para a filosofia indiana, a experiência não é conceitual, não pode ser definida enquanto experiência e não pode se repetir.
